Carreira

O que faz um Analista de BI na prática (e por que não é só dashboard)

POR
Luiz Henrique Nonenmacher

Introdução

Se você perguntar para dez pessoas o que faz um Analista de BI, é bem provável que a maioria responda:

“Faz dashboards.”

Mas essa resposta, embora comum, é incompleta — e perigosa.

Na prática, o papel do BI não é criar gráficos bonitos, mas ajudar empresas a tomar decisões melhores a partir de dados. Dashboards são apenas uma parte visível de um trabalho muito mais profundo, estratégico e analítico.

Neste artigo, vamos explicar o que faz um Analista de BI na prática, como ele atua no dia a dia das empresas e por que essa carreira é cada vez mais relevante.

O que é BI, afinal?

Business Intelligence (BI) é o conjunto de processos, análises e ferramentas que têm como objetivo transformar dados brutos em informações organizadas, interpretáveis e úteis para apoiar decisões de negócio.

Em outras palavras:
➡️ BI existe para ligar dados à decisão.

Ter dados não significa automaticamente tomar boas decisões. Empresas geram dados o tempo todo — vendas, acessos, campanhas, operações — mas sem análise e contexto, esses dados não geram valor.

É aí que entra o BI.

O verdadeiro papel do Analista de BI

Na prática, o Analista de BI ajuda a empresa a responder perguntas como:

  • As vendas estão melhorando ou piorando?
  • Onde está o gargalo do funil?
  • Qual métrica realmente importa para essa decisão?
  • O que devemos fazer a partir desses dados?

Para isso, ele atua como uma ponte entre áreas técnicas e áreas de negócio, conectando:

  • Dados brutos
  • Contexto do negócio
  • Análise
  • Decisão

As 4 grandes etapas do trabalho em BI

Embora o trabalho varie de empresa para empresa, o ciclo clássico do BI envolve quatro etapas:

1. Entendimento da dor de negócio

Tudo começa com uma pergunta — muitas vezes vaga:

“As vendas estão ruins.”

O Analista de BI precisa transformar isso em algo analisável:

  • Ruins em relação a quê?
  • Em qual período?
  • Em qual canal?
  • Em qual produto?

2. Coleta e organização dos dados

Com a pergunta clara, ele identifica:

  • Quais dados usar
  • De onde eles vêm
  • O que cada métrica realmente significa

3. Análise e visualização

Aqui entram análises exploratórias, estatística descritiva e, sim, dashboards — mas sempre com um objetivo claro.

4. Tomada de decisão

A parte mais importante:
👉 gerar insights que levem a ações práticas.

Se não gera decisão, não é BI.

BI não é só dashboard (e nunca foi)

Dashboards são importantes, mas representam apenas o topo do iceberg.

Grande parte do trabalho do Analista de BI acontece:

  • Em reuniões com times de negócio
  • Definindo métricas relevantes
  • Validando dados
  • Construindo hipóteses
  • Analisando causas e consequências

Um bom dashboard não é o que tem mais gráficos.
É o que conta a história certa e orienta a ação certa.

BI, Analista de Dados e Cientista de Dados: qual a diferença?

De forma simplificada:

  • Analista de BI
    Foco maior em métricas, dashboards, ETL e decisões baseadas em dados históricos.
  • Analista de Dados
    Atua tanto no passado quanto no futuro, com análises estatísticas mais profundas.
  • Cientista de Dados
    Desenvolve modelos preditivos e de machine learning.

Na prática, essas fronteiras estão cada vez mais difusas. Um bom Analista de BI hoje precisa entender estatística, negócio e ferramentas.

Por que a carreira em BI é tão relevante hoje?

Porque empresas precisam cada vez menos de “achismos” e cada vez mais de decisões baseadas em dados.

O Analista de BI:

  • Aumenta a maturidade analítica da empresa
  • Reduz decisões no feeling
  • Gera impacto real no negócio

Por isso, é uma das carreiras mais estratégicas dentro das organizações.

Conclusão

Ser Analista de BI não é fazer dashboard.
É transformar dados em decisões.

Quem entende isso deixa de ser apenas um executor técnico e passa a ser um profissional estratégico, valorizado e com grande impacto nas empresas.

Luiz Henrique Nonenmacher
Bacharel em administração pela ESPM e pós graduado em Data Science pela USP/ICMC. Trabalhou como analista de dados nas áreas de marketing, produto, CRM e comunicação na Dell e na afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul. Atualmente atua como analista de dados sênior no iFood.
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